quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Meiose social...

Diz a lenda que quando ele nasceu chorou de fome e mordeu o dedo do médico. A mãe se assustou:

-"Valame Deus". Eu sofri a dor do parto e é o médico quem grita.

Seu nome era José Crediosvaldo da Silva, mais conhecido como "Cê", apelido dado pela mãe, que é a redução morfológica da palavra "você".

Ninguém até hoje conseguiu explicar como ele sobreviveu à desnutrição. Dizem que é porque ingeriu água do córrego e seu código genético foi alterado.

Um dia decidiu estudar para ser alguém na vida. Leu duas palavras no dicionário e foi dormir, estava sobrecarregado de informações e tinha medo de ter uma overdose.

Quando completou 18 anos foi procurar emprego na cidade grande e um assaltante o rendeu. Cê contou sua triste história e o ladrão chorou. Na despedida o homem deu dez reais para o Cê. O assaltante se converteu e lançou um CD evangélico o mês passado com músicas sobre desigualdade social.

Crediosvaldo não conseguiu um trabalho. Foi preso por invadir uma loja e quebrar uma televisão. Ele explicou que um homem dentro daquela caixa queria matá-lo, mas não deu certo. Ninguém acreditou.

Cê ficou feliz por 30 anos. Comia de graça, tinha atividades de lazer, amigos e inimigos. Mas chegou o dia de dizer adeus para aquela luxuosidade. Virou mendigo. Já estava velho, banguelo e barbudo. Apareceu até na TV... Pena que não deu ibope.

Enfim arrumou um emprego. Trabalhava das 6 às 18 horas e ganhava um salário mínimo em troca.

José Crediosvaldo da Silva pegou um pedaço de pau, entrou numa loja e quebrou sete televisões.
*** Gostou? Veja então a segunda crônica sobre José Crediosvaldo da Silva no link:

2 comentários:

SAY disse...

Gostei da crônica,,,,,,,bem escrita,,,o Cê com certeza tinha razão ao quebrar sete televisões...bjusssss......

Helize disse...

Coitado vei devia tah sendo perseguido pelo horario politico kkkk nao sei como nao quebrou a loja toda hehehehe