quinta-feira, 30 de abril de 2009

Era uma vez no aniversário de Brasília...

Depois de ter escrito "Querido conto real de um carnaval mal sucedido" eu realmente cheguei a crer que aquele era o fundo da fossa. Mera ilusão minha. Quando a coisa tá feia só tende a piorar. Começou como um reencontro de velhos amigos e acabou como o dia ruim mais ruim de péssimo da minha vida.

No projeto nos encontraríamos as 13h do dia 21 de abril de 2009 na frente a papelaria da rodoviária do Plano Piloto-DF. O problema é que eu não tinha folga no dia e meu horario de trabalho começava às 13h30. Cheguei às 11h (Horário de Brasória) para aproveitar um pouco mais da festa. Vi um paraquedista se esborrachar no chão. Vi os professores gritando "Pinóquio" pro Arruda durante a celebração da Santa Missa. Vi uma homenagem de paulistas a Brasília, um desfile de milhares de pessoas à cavalo que por onde passavam deixavam um rastro de bosta, um tapete de algo que já foi chamado de grama um dia. Enfim, tudo uma maravilha. A Esplanada parecia pequena para tanta gente e tanto adubo.

Às 12h50 eu estava esperando no local previsto, ninguém apareceu. Não critico meus amigos, eu também atrazo. Peguei então o metrô às 13h15 e fui trabalhar. Às 22h a lei da abolição foi decretada e saí livre pela cidade. Primeiro sintoma de que uma noite decrescente estava a caminho: A bateria estava descarregando. Sem falar da mensagem que ouvi da vivo quando liguei pro meu irmão dizendo que os meus créditos estavam esgotando. O caos estava por vir, rastejando e se aproximando aos poucos. Como um predador.

Mais assustador que ver a Xuxa cantando uma música sobre as cores é reparar que os maconheiros estavam curtindo uma lombra e recriando a aquarela. A rainha dos baixinhos conseguiu algo inédito. Fez roqueros, pagodeiros, sertanejos e até funkeiros se unirem... Tudos vaiavam e gritavam... Uníssono. Como um coro. Não vou dizer que o show foi horrivel mas é meio estranho ver um show infantil depois das 23h. O palco parecia o cirque du soleil, Tinha mais palhaço que dentro do congresso. O mais triste foi ver um vídeo no telão com cerca de 4 minutos com crianças que queriam o direito de falar...

Mandei uma mensagem dizendo aos meus amigos que eu estaria na frente do primeiro ministério a esquerda do palco. Já estava impaciente por gastar meus créditos tentando encontrar meu irmão que já tinha partido daquela muvuca (e me deixado 20 minutos plantado feito um otário sentado aos pés da estatua de São João na frente da Catedral). Me apoiei em uma cerca e aguardei uma aparição que não aconteceu em momento algum.

Um homem parou apoiado na cerca ao meu lado. O braço dele era grande como uma bunda de uma mulata brasileira. A blusa dele cavada e preta coladinha no corpo aumentava sua massa muscular. Ele ficou me encarando. Puts, era o que faltava. No carnaval já tinha paquerado uma baranga mas um cara dando em cima de mim era bravata. Me afastei. Fui seguido até não ter onde me apoiar e ficar próximo demais de quem estava a minha direita:

-Tá esperando quem?

Não respondi nada. Estava com cara de raiva:

-Você é surdo? Te perguntei uma coisa.

Quando ele falou isso meu nariz apitou como um bafômetro, bafo de cachaça pura:

-Eu estou esperando uns amigos com braços maiores que os seus. Por quê? -Eu disse com um ar de superiorismo (Mesmo não tendo amigos de braços mutantes).

-Você falou "por quê" pra mim?

-Não pra mulher ali.

Ele olhou para a direção que eu apontava:

-E o que você disse pra ela?

Pela resposta percebi logo que seus músculos de bomba tinha tomado o espaço do cérebro. Como é chato tirar um bêbado. Ele nem entende:

-Cara. Fica aí no seu canto e eu fico no meu.

Nessa hora ele segurou firme a minha mão erqueda forçando-a para baixo:

-Abaixa a mão quando estiver falando comigo.

Eu não sei explicar o por quê do por quê, só sei que uma fúria desceu sobre mim. Eu olhei nos olhos do meu oponente e mandei ele soltar meu braço direito. Ele também me encarou. Repeti com mais potência e firmeza. Deu certo ele largou meu braço. Ele sorriu. Deu um passo pra trás. Em segundos vi a mão que libertava se dirigir a mim com toda a velocidade. Tentei interceptar com a mão direita, mas só consegui desdirecionar o golpe que atingiu com toda a força no meu pescoço. Dois rapazes que estavam do meu lado seguraram o brutamonte enquanto eu procurava o meu óculos caido. Quando o encontrei e o encaixei no rosto vi o maluco partindo. Os dois jovens tinham notado o clima tenso desde o começo e agiram rapidamente.

Continuei aguardando cegamente meus amigos. Quando os dois jovens partiram ele voltou. Como um vilão de seriado. Se aproximando a passos largos, com uma cara de mau. Olhei para o lado. Agora tinham três adolecentes. Lembro-me de falar pra eles que o cara estava caçando briga e pedir ajuda se necessário. Depois recordo de sua mão no meu pescoço me empurrando para cima da cerca baixa. Não sei se foi a adrenalina ou o excesso de filme de ação. O que sei é que eu usei a mão esquerda para afastar a mão dele de mim e a mão direita para empurrá-lo. Ele estava bêbado, mas não cambaleava. Parecia alguém normal. Principalmente ao bater.

O maníaco do ministério do trabalhador se afastou com o rabo entre as pernas quando os três adolecentes entenderam a situação. Ele ficou de longe virgiando por um tempo, segundo os adolecentes. Eles queriam me acompanhar até a polícia mas eu resisti aos pedidos. Desisti. A festa para mim já havia terminado.

Sem amigos, sem crédito, sem bateria, com o pescoço doído... Peguei o busão e pensei no lado positivo: Pelo menos eu não vou pra casa de cavalo deixando um rastro de bosta... Podia ser pior. Já pensou? Se eu fosse professor público e esperasse o Arruda cumprir uma promessa... É... Poderia ser bem pior...

Um comentário:

**Vilma** disse...

a nem....q gay +bruto ele te queria a força ..rsrsrrsrs
a nem arisson q dia nem em outros tempos no alameda q tinha muito menino sensivel vc passou por isso
fala serio..
situação muito engraçada depois q passa e eu imagino sua cara kkkkkkkkkkk